Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Que será que ele quer dizer com isto?

O nosso prefeito, já conhecido pelas suas proezas verbais, agora quer “newyorkizar” a mangueira, ahn? (bom foi o que eu fiz quando li, e se você não fez o mesmo vá embora agora, muito provavelmente você não tá no lugar certo). É verdade, ele quer “newyorkizar” a mangueira, sem acabar com o samba é claro.

O que ele quer dizer com isto? que ele fará da mangueira um lugar sujeito à especulação imobiliária? Que em vez dos tradicionais ensaios na quadra teremos espetáculos (caríssimos) de samba? Que nossa história vai ser leiloada? Que transformará um dos redutos históricos de nossa cidade em alguma homenagem (moderna, claro) à processos de outro país?

Olha não sei o que ele realmente quis dizer com isto mas não me parece nada bom. Primeiro por que a referência a uma estrutura estrangeira geralmente não é um bom referencial. Precisamos buscar soluções que se adequem a nossa realidade econômica, espacial, cultural, política, etc.

Segundo, por que num sentido mais ”brando”, que ele mesmo afirma, ou seja, de “glamourizar” o Rio irá  destruir o mesmo elemento que nos faz tão conhecidos no mundo, quais sejam, nossa ginga, malemolência, descontração. E isto me faz realmente perguntar que este prefeito tá falando?

Terceiro por que o referêncial que ele utilizou é uma cidade cujo projeto não chegou a bom termo, com altos índices de exclusão social, altos custos, serviços de baixa qualidade, segregação espacial, isto para não falar da crise que se abateu sobre seus imóveis e é consectária da crise sistêmica que vivemos hoje.

Seja lá o que ele quis dizer com isto, só uma coisa pode ser concluída: Paes pretende continuar sua investida liberalizante contra nossa, já caótica, cidade e mais não tem se quer mais o pudor de esconder isto de nós.

sábado, 7 de maio de 2011

Supremo reconhece união estável homoafetiva

Texto retirado do sítio conjur

O Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quinta-feira (5/5), equiparar as relações entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis entre homens e mulheres. Na prática, a união homoafetiva foi reconhecida como um núcleo familiar como qualquer outro. O reconhecimento de direitos de casais gays foi unânime.

Os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cezar Peluso divergiram em alguns aspectos da fundamentação da maioria dos colegas, mas também os acompanharam no ponto central. A condenação da discriminação e de atos violentos contra homossexuais também foi unânime.

Os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello ressaltaram que o caráter laico do Estado impede que a moral religiosa sirva de parâmetro para limitar a liberdade das pessoas. Em seu voto, Marco Aurélio destacou o papel contramajoritário do Supremo — citou a decisão tomada em relação à Lei da Ficha Limpa — ao lembrar que as normas constitucionais de nada valeriam se fossem lidas em conformidade com a opinião pública dominante.

Já Celso de Mello afirmou que o Estado deve dispensar às uniões homoafetivas o mesmo tratamento atribuído às uniões estáveis heterossexuais. Não há razões de peso que justifiquem que esse direito não seja reconhecido, frisou o ministro. "Toda pessoa tem o direito de constituir família, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero", disse.

A interpretação do Supremo sobre a união homoafetiva reconheceu a quarta família brasileira. A Constituição prevê três enquadramentos de família. A decorrente do casamento, a família formada com a união estável e a entidade familiar monoparental (quando acontece de apenas um dos cônjuges ficar com os filhos). E, agora, a decorrente da união homoafetiva.

Ao julgar procedentes as duas ações que pediam o reconhecimento da relação entre pessoas do mesmo sexo, os ministros decidiram que a união homoafetiva deve ser considerada como uma autêntica família, com todos os seus efeitos jurídicos. Os ministros destacaram que é importante que o Congresso Nacional deixe de ser omisso em relação ao tema e regule as relações que surgirão a partir da decisão do Supremo.

O julgamento foi retomado nesta quinta-feira depois de ser suspenso na quarta, após o voto do relator das duas ações, ministro Ayres Britto. O ministro votou no sentido de dar interpretação conforme a Constituição para o artigo 1.723 do Código Civil. A norma define a união estável como aquela "entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família".

Pelo voto do ministro, que foi acompanhado integralmente por seis de seus colegas, deve ser excluída da interpretação da regra qualquer significado que impeça o reconhecimento de pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. Em voto de cerca de duas horas, o ministro frisou que a união homoafetiva não pode ser classificada como mera sociedade de fato, como se fosse um negócio mercantil.

Além de uma longa análise biológica sobre o sexo, Britto registrou que o silêncio da Constituição sobre o tema é intencional. "Tudo que não está juridicamente proibido, está juridicamente permitido. A ausência de lei não é ausência de direito, até porque o direito é maior do que a lei", afirmou.

Um só afeto
O ministro Luiz Fux ressaltou que, se a homossexualidade é um traço da personalidade, caracteriza a humanidade de determinadas pessoas. "Homossexualidade não é crime. Então porque o homossexual não pode constituir uma família?", questionou Fux.

O próprio ministro respondeu a pergunta: "Por força de duas questões abominadas pela Constituição Federal, que são a intolerância e o preconceito". Segundo Fux, todos os homens são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Assim, "nada justifica que não se possa equiparar a união homoafetiva à união estável entre homem e mulher". O ministro ainda ressaltou que "se o legislador não o fez, compete ao tribunal suprir essa lacuna".

A ministra Cármen Lúcia  destacou que a Constituição Federal não tolera qualquer discriminação. "Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal", disse.

O ministro Joaquim Barbosa ressaltou que cabe ao Supremo "impedir o sufocamento, o desprezo e discriminação dura e pura de grupos minoritários pela maioria estabelecida". De acordo com ele, o princípio da dignidade humana pressupõe a "noção de que todos, sem exceção, têm direito a igual consideração".

Na sessão de quarta-feira, Britto assentou que se não há lei que proíba, a conduta é lícita. De acordo com o ministro, a Constituição entrega o "empírico emprego das funções sexuais ao arbítrio das pessoas". E o Estado brasileiro veda o preconceito por orientação sexual. "As normas constitucionais não distinguem o gênero masculino e feminino", frisou Britto. Ou seja, não fazem distinção em relação a sexo. Logo, não fazem também sobre orientação sexual.

Britto disse também que união homoafetiva só seria vedada se a Constituição fosse expressa nesse sentido. "O que seria obscurantista e inútil", emendou. Segundo o ministro, a família, em sua concepção, é o núcleo doméstico, tanto faz se integrada por um casal heterossexual ou homossexual.

O ministro ainda ressaltou que não se pode alegar que os heterossexuais perdem se os casais homoafetivos ganham o direito ao reconhecimento jurídico de suas relações. Só se restringe um direito para garantir outro. Quem perde com o reconhecimento da união homoafetiva? Ninguém.

Divergências pontuais
Mesmo os ministros que divergiram do voto de Britto, o fizeram por questões pontuais. O ministro Ricardo Lewandowski, primeiro a não acompanhar integralmente o relator, reconheceu os direitos dos casais homossexuais, mas de forma um pouco mais restrita.

De acordo com o voto de Lewandowski, os homossexuais têm os mesmos direitos dos casais convencionais que vivem em união estável, exceto aqueles típicos das relações entre um homem e uma mulher.

O ministro não explicitou os direitos típicos de heterossexuais. Mas, pelo seu voto, pode-se supor que o casamento civil estaria proibido na união homoafetiva. Ele, contudo, ficou vencido.

Lewandowski também registrou que a decisão deveria valer até que o Congresso Nacional regulasse o tema. O ministro resgatou as discussões da Assembleia Nacional Constituinte em torno do parágrafo 3º do artigo 226 da Constituição.

A norma diz textualmente que a união estável se dá entre homem e mulher. O ministro mostrou, a partir das discussões, que isso foi uma opção clara do legislador. De acordo com Lewandowski, a decisão do STF ocupa o espaço do Congresso Nacional. Então, o preenchimento da lacuna teria de ser provisório.

Para o ministro Gilmar Mendes, o tema em julgamento diz respeito à dignidade dos indivíduos. "A pretensão que se formula tem base nos direitos fundamentais a partir dos princípios da igualdade e da liberdade", disse. De acordo com o ministro, é necessário reconhecer os direitos de casais formados por pessoas do mesmo sexo por uma questão de dignidade humana.

Mas o ministro fez observações sobre os fundamentos da decisão do STF. Para ele, pretender regular a união homoafetiva como faria o legislador é exacerbar o papel do Supremo. "Fazermos simplesmente a equiparação pode fazer com que estejamos a equiparar situações que vão revelar diversidades", disse o ministro. Por isso, Gilmar Mendes acompanhou Britto no mérito, mas se limitou a reconhecer a existência da união homoafetiva sem se pronunciar sobre outros desdobramentos possíveis.

Peluso afirmou que "na solução da questão posta, só podem ser aplicadas as normas correspondentes que no Direito de Família se aplicam à união estável entre homem e mulher". Mas nem todas, disse o presidente do Supremo, porque não se tratam de relações idênticas, mas de equiparação.

"A partir deste julgamento, o Legislativo tem de se expor e regulamentar situações que irão surgir a partir do pronunciamento da corte. É necessário regulamentar a equiparação. Aqui se faz uma convocação para que o Congresso Nacional atue", concluiu Peluso.

Família de fato e de direito
Nas sustentações orais de quarta-feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que a ação visa reconhecer que todas as pessoas têm os mesmos direitos de formular e perseguir seus planos de vida desde que não firam direitos de terceiros. E, para ele, o reconhecimento da união homoafetiva fortalece a família.

De acordo com Gurgel, a discriminação em relação aos casais formados por pessoas do mesmo sexo compromete a capacidade dos homossexuais de viver a plenitude de sua opção sexual. "Embaraça o exercício da liberdade e o desenvolvimento da identidade de um número expressivo de pessoas", disse.

O PGR citou dados do IBGE, de acordo com os quais há 60 mil casais homossexuais no país. "E o número é certamente maior do que o dos dados oficiais. A união entre pessoas do mesmo sexo enquadra-se no plano dos fatos", afirmou.

O advogado Luís Roberto Barroso, que representado o governo do Rio de Janeiro, subiu à tribuna para falar que a história da civilização é a história da superação do preconceito. E lembrou de casos em que homossexuais foram punidos apenas por declarar sua opção sexual. De acordo com Barroso, o Supremo deve impor o mesmo regime jurídico das uniões estáveis convencionais às relações homoafetivas. Entender diferente, sustentou, significa depreciar e dizer que o afeto delas vale menos.

"Duas pessoas que unem seu afeto não estão numa sociedade de fato, como uma barraca na feira. A analogia que se faz hoje está equivocada. Só o preconceito mais inconfessável deixará de reconhecer que a analogia é com a união estável", afirmou Barroso. O advogado também frisou que o direito das minorias não deve ser tratado necessariamente pelo processo político majoritário. Ou seja, pelo Congresso Nacional. "Mas sim por tribunais, por juízes corajosos", disse.

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, também defendeu o reconhecimento das uniões homoafetivas. "O reconhecimento dessas relações é um fenômeno que extrapola a realidade brasileira e o primeiro movimento de combate à discriminação que sofrem esses casais vem do Estado, com o reconhecimento de benefícios previdenciários", afirmou.

Outros seis amici curiae defenderam as uniões homoafetivas. Contra o reconhecimento, falaram dois amici. A principal foi a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O advogado Hugo José Cysneiros, que representou os bispos, começou com argumentos pesados. "Poligâmicos, incestuosos, alegrai-vos. Afinal, vocês também procuram afeto", disse em contraponto às sustentações que pregaram que o afeto não pode ter distinção entre homossexuais e heterossexuais. "A pluralidade tem limites", afirmou Cysneiros.

Quando passou aos argumentos jurídicos, Cysneiros sustentou que "uma lacuna constitucional não pode ser confundida com não encontrar na Constituição aquilo que eu quero ler". De acordo com ele, a CNBB não entrou nos processos para "trazer seu catecismo, nem citar textos bíblicos", mas para pedir "o raciocínio, a análise, tendo como referência o texto constitucional".

Cysneiros disse que com o texto legal claro no sentido de que a "união estável se dá entre o homem e a mulher", não cabia espaço para interpretações. E concluiu dizendo que a depender do resultado do julgamento, portar uma Bíblia poderia ser considerado crime. Outros sete amici curiae foram admitidos na ação, mas não fizeram sustentações orais.

Pedido duplo
O julgamento do Supremo foi feito com base em duas ações. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. A ADPF foi transformada em ADI depois que se verificou que um de seus pedidos, o reconhecimento de benefícios previdenciários para servidores do estado do Rio de Janeiro, já havia sido reconhecido em lei.

A ADI foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República com dois objetivos: declarar de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar e estender os mesmos direitos dos companheiros de uniões estáveis aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.

O argumento principal da ADPF transformada em ADI, proposta pelo estado do Rio de Janeiro, foi o de que o não reconhecimento da união homoafetiva contraria preceitos fundamentais constitucionais como igualdade e liberdade e o princípio da dignidade da pessoa humana. Os dois pedidos foram acolhidos,

No final do julgamento, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Junior, comemorou o resultado. "A decisão do STF deve ser aplaudida na medida em que confere uma interpretação à Constituição compatível com os princípios da igualdade e da dignidade do ser humano. Trata-se de um fato presente na vida da sociedade brasileira e que merecia reconhecimento pelo Judiciário no sentido de garantir os direitos decorrentes de uma situação semelhante a da união estável constitucionalmente previsto", afirmou.

domingo, 1 de maio de 2011

1º de Maio Unificado

Reproduzido do sítio www.vermelho.org.br

Cerca de 10 milhões de pessoas participaram neste domingo (1º) das manifestações organizadas pelas centrais sindicais em 200 cidades do país (Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e CGTB), de acordo com informações de dirigentes dessas entidades. Em São Paulo, o ato reuniu 1,5 milhão segundo os organizadores ou mais de 1 milhão de acordo com estimativas da polícia.

.1º de Maio

CTB, Força Sindical, CGTB, UGT e Nova Central construíram o ato unificado

 

Temperado por sorteios de automóveis e pela apresentação de artistas populares, o evento na capital paulista, realizado na Avenida Marques de São Vicente, acabou mais cedo (por volta das 15 horas) em função da forte chuva que caiu sobre a cidade. Mas isto não prejudicou o ato político, que aconteceu antes.

O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, lembrou que o 1º de Maio nasceu da luta pela redução da jornada de trabalho e defendeu a redução da jornada no Brasil para 36 horas, sem redução de salários.

Assista ao vídeo com a intervenção de Wagner Gomes:

Elogio à unidade

O presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, afirmou que a unidade das centrais é um exemplo de maturidade política e enfatizou a importância do 1º de Maio. “É um dia de grande significado para a classe trabalhadora apresentar suas demandas e homenagear os mártires de Chicago”. As centrais sindicais “são aliadas das forças progressistas na luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento”, disse.

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, leu uma mensagem da presidente Dilma Rousseff, que sofreu um princípio de pneumonia e não pode comparecer. O texto ressaltou a política de reajuste do salário mínimo e o compromisso da presidente no combate à inflação.

O ministro também elogiou o caráter pluripartidário do evento e comentou a presença do governador Geraldo Alckmin e do senador Aécio Neves, ambos tucanos, para e dizer, não sem um leve toque de ironia, que é bom que tenham comparecido para “sentir o cheiro do povo”. Quem não gostou muito da presença dos cardeais do PSDB foi o povo. Alckmin recebeu vaias.

Força e garra

A manifestação foi uma demonstração da força, garra e determinação das centrais, na opinião do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia. Ele caracterizou o acontecimento como histórico e enfatizou que a Câmara Federal deve refletir e contemplar as reivindicações da classe trabalhadora. “Não há razão para a existência do Parlamento se ele não estiver ao lado da classe trabalhadora”, salientou.

O sindicalista José Ortiz, representante da Federação Sindical Mundial (FSM) para a América Latina, assegurou que a classe trabalhadora tem os mesmos interesses e anseios no Brasil e nos demais países da América Latina, comungando da luta contra o imperialismo e as consequências adversas da crise do capitalismo, que prejudica muito mais o trabalho do que o capital. “Não existe solução fora da luta de classes”, acentuou.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que o 1º de Maio é uma boa oportunidade para conscientizar empresas e trabalhadores sobre a necessidade de equipamentos de segurança no trabalho. "Perto de 4% do total de trabalhadores ativos têm problemas de acidentes no trabalho, alguns até mais graves, como casos de mutilação".

Principais reivindicações

O ato, entrecortado por shows e falas políticas, chamou a atenção do público para as principais reivindicações da classe trabalhadora: Redução da jornada sem redução de salários; fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias; Igualdade entre homens e mulheres; valorização do serviço público e do servidor público; trabalho decente; reforma agrária; educação; qualificação profissional e redução da taxa de juros.

Em suas intervenções, mais uma vez, os sindicalistas reforçaram a importância da participação e mobilização da população para o país continuar avançando através da implantação de um projeto de desenvolvimento com valorização do trabalho.

Hora de dividir o “bolo”

Abrindo as falas dos presidentes das centrais, Wagner Gomes, presidente da CTB, defendeu as bandeiras escolhidas para o 1º de Maio deste ano e sua importância para a melhora das condições de vida dos trabalhadores.

“Preparamos esse eventos para prestar uma grande homenagem ao trabalhador. Hoje é dia de comemorar, mas também é dia de reivindicar. De fazermos uma reflexão. Estamos aqui para fazer uma reflexão. A luta dos trabalhadores não é só pelas 40 horas semanais — mas também pela concretização de um novo projeto nacional de desenvolvimento, com soberania, fortalecimento da nação e valorização do trabalho. Esperamos o bolo crescer. Agora que ele cresceu está na hora de repartir. Não podemos ter um país rico e um povo pobre”, destacou o Gomes.

Wagner Gomes, presidente da CTB

Emprego e renda

Para ele esse será um ano decisivo para a classe trabalhadora, quando, mais uma vez, entram na pauta as discussões sobre a redução da jornada, o fim do fator previdenciário, a valorização do trabalho, a criação de novos empregos, entre outras. “A cada ano entram no 1,5 milhões de novos trabalhadores no mercado. Portanto precisamos de mais empregos. O país pede a criação de novos empregos. E uma das medidas capaz de promover esse aumento da oferta é a redução da jornada de trabalho”, refletiu o presidente da CTB.

Opinião compartilhada pelos demais presidentes das centrais. “Precisamos da redução da jornada para gerar mais empregos e implantar o trabalho decente, com o combate à precarização das condições de trabalho”, destacou José Calixto, presidente da Nova Central, que lembrou também dos problemas enfrentados pelos trabalhadores rurais, que esperam há anos pela Reforma Agrária.

“Hoje é dia de protesto. Viemos aqui para dizermos que queremos mais e para mostrar que unidos somos fortes e que podemos conquistar mais emprego, salário. Aqui estão as centrais que lutam pelos trabalhadores. Por mais emprego, saúde, educação. Vamos combater essa política equivocada de juros altos que só prejudica e corrói o salário do trabalhador, privilegiando os grandes banqueiros", destacou Antonio Neto, presidente da CGTB.

Ricardo Patah, presidente da UGT, elogiou a presidente Dilma, mas criticou a distribuição de renda.

Após as falas dos presidentes das centrais, o presidente da Força Paulo Pereira, o Paulinho, enalteceu a unidade das centrais e ressaltou a importância da Agenda da Classe Trabalhadores, documento unitário das centrais aprovado por aclamação durante a 2ª Conclat.

Da Redação, com CTB

Sobre o primeiro de maio ou “Eu sinto que vamos juntos”

Desde a repressão em chicago e a fundação do Centro Comunista, no Brasil muito aconteceu e hoje, 1º de maio, nós relembramos e reconciliamos com nossas raízes, para que não esqueçamos dos horrores de que o Capitalismo é capaz e nos mantenhamos sempre alertas. Mas tanbém na atual quadra é um dia de comemoração por que “nunca antes na história deste país” tivemos tanto potencial para mudar nossa condição social e fizemos tanto pelos direitos dos trabalhadores.

Ainda estamos longe de conquistar o que queremos, mas começamos a ver uma luz, já disse anteriormente e direi novamente, nós comunistas, assim como na concretização do estabelecimento do dia do trabalho precisamos ter um protagonismo, pela nossa inserção no seio da sociedade civil, por nossos parlamentares apresentando um projeto que vá para além do mero avanço da emancipação política mas aponte como norte a superação deste estado de coisais.

Para isto precisamos ter identidade e garantir que a população conheça nosso projeto. Precisamos ser amplos para garantir a unidade dos movimentos socialistas na exigência de avanços mais adequados. Evitando, tanto quanto for possível, dividir os trabalhadores. Precisamos, em suma, de projeto e coerência.

O que é suficiente para nos encher de felicidade este dia por que qualquer um que verdadeiramente esteja comprometido com a mudança da realidade reconhecerá isto nos comunistas, no PcdoB. Não nos acovardamos e não perdemos o trem da história não nos escondemos, vamos juntos em direção aos nossos sonhos para transformá-los em realidade.

Avante camaradas! Que o 1º de maio nos encha de disposição para continuar e avançar na luta e, por fim, ouçam as sábias palavras de Milton Nascimento!

O que é produção?

O projeto de filosofia fundado por Marx inicia-se, em sentido forte, do que se pode chamar de filosofia da práxis. Contudo, retraído encontram-se conclusões sobre o conhecimento que fundam e orientam tal projeto. É o que, à título de exemplo, se demonstra pela constante referência à crítica.

Em “A crítica como método” buscamos cumprir a tarefa de suspender o juízo realocando o significado da crítica, ou seja, retirando-o do chamado “senso comum” o seio da tradição filosófica. Penso que seja esta a referência de Marx.

Assim, ao afirmar que “a crítica da religião foi completada” Marx faz duasconstatações, a saber uma é a de que a religião não é mais o esteio da auto compreensão dos homens e disto deriva um vazio, ou seja, a ausência de esteio, que faz desaparecer o sentido do existir para o homem. Sua tarefa, portanto, é dupla deve manter-se na crítica revelando a produção de sentido imanente a existência, bem como ao desvelar este sentido lançar as bases para a extinção do vazio por meio da emancipação do homem.

É de se notar, em digressão,que não adoto a visão de rompimento entre o velho e o novo Marx, ou seja, não há ao meu sentir mudança de influxo, o trabalho da vida de Marx move-se nas mesmas categorias ontológicas e sempre no interesse de investigar a produção (da vida).

Ora, ambas as tarefas estão conectadas exatamente pelo conceito de produção (da vida). Deve-se, contudo, sem se afastar do materialismo combater seu sectarismo. Para tanto é necessário oferecer uma determinação abrangente o suficiente para o conceito de produção. É com este fito que mantenho sempre a relação da produção com a vida. Ora, quando se fala em vida fala-se tanto da produção material em sentido estrito, concreto, quanto da produção material em sentido lato, ideal, ou seja das cadeias de significado para os estados de coisas, por outras palavras, da consciência.

Desde que não está preso à religião o retraimento da produção de sentido somente ocorre se “o homem ainda não se achou ou voltou a perder-se”. Em todo caso, vemos com Marx que sobre o influxo das cadeias de produção da vida, na impossibilidade de nada ser, os homens encontram sempre já produzindo sua vida material quer saibam ou não.

Encontra-se, ainda, já sempre dentro destas cadeias de produção da vida sobre as quais seu influxo é, por certo limitado pelos significados já estabelecidos. Tais produções, como já vimos, em “Saber é compreendermos as coisas que mais nos convém” impõem uma condição de esquecimento da possibilidade de forjar novas formas de conceber as configurações do real.

A produção, enquanto ato consciente, é um desvelar de algo assim como a verdade, ou seja, a substituição do esquecimento pela memória, que é condição para o esquecimento, por outras palavras, que já sempre esteve a caminho e desviou-se. Em última instância trata-se de um reconhecimento de nossa condição de homens.

Reconhecer, no entanto, não é emancipar-se este é fruto da produção que resignifica o estado de coisas, ou seja, da própria produção de novos significados, que tem como consequência a alteração concreta da vida material. Não se confunda tal afirmação com idealismo, o centro da firmação esta em produção (da vida), ou seja, de todas as suas instâncias de campos de significado, concretas e ideais. Esclareça-se, ainda, que campos de significados são a “realidade”, ou seja, ser “real” é perceber algo como algo num tempo e num espaço definido.

Ocorre que a alteração nos campos de significados não é possível por mero ato da vontade subjetiva, o que leva Marx a uma aporia, qual seja, o que podemos fazer? Esperar! Mas quê, esperar? Sim, mas alertas pr4oduzindo sentido e deslocando tanto quanto for possível os campos de significados, ou seja, cumpre a nós travar o bom combate esperando o momento certo para destruir por completo estes significados e produzir novos.

Acreditemos camaradaas que nossa memória que um dia desviou-se há de voltar com nossa ajuda e neste dia não apenas nos reconheceremos como homens bem como seremos homens!

sábado, 30 de abril de 2011

Video de Divulgação do I encontro de Blogueiros

Volte Long John! Foi dado o Sinal Preto para os Blogueiros!

arte do rioblogprog

Enquanto estou rumo ao encontro de blogueiros quando enfim nosso pirata preferido mandou notícias, Long John Silver, com sua perspectiva sempre velhaca porém coerente mandou notícias do casamento real. Deu-nos muito orgulho e esperança, por que por aqui as coisas são bem diferentes da velha ilha e as coisas vêm mudando rápido. Esperamos que ele chegue a tempo para o motim.

Deixando de lado a brincadeira, com o personagem que nem de longe espero “roubar” do camarada Allysson, do Sinal Preto, me enche de esperança e alegria a recente notícia de que um Blogueiro Progressista e comprometido com a mudança de nossa sociedade teve um texto seu publicado em nada mais nada menos que o vermelho, o site da mídia que não é marrom.

Isto por que nesta senda como já disse são necessários formuladores ousados que, como o camarada, construam visões arrojadas e cheias de bom humor em busca de nossa nova identidade. Para isto, os comunistas do brasil e, com um carinho especial, os jovens, assumirão tarefa central garantindo nossa identidade enquanto Partido e divulgando nossas opiniões sobre a construção de um novo Brasil e de um novo mundo.

Tal publicação é a valorização de um trabalho que se diferencia pela sua densidade literária e teórica e representa que estamos no lugar certo. Parece que o PCdoB faz a aposta correta ao permitir a jovens que assumam em suas mãos a bandeira do socialismo e empunhem com garra a tarefa de oferecer à sociedade e ao proletáriado, mais do que a papinha da política mas seu caráter grandioso que salta em direção a uma compreensão de mundo adequada ao pleno desenvolvimento do caráter de homem.

Por outro lado, representa a importância que terão blogueiros, como nós, na atual conjuntura e, em especial os comunistas, na disputa da sociedade. Revelando que nós, jovens formuladores, também temos nosso valor no motim que está por vir. Assim, termino esta apologia dizendo: Volte long John, volte, pois foi dado o Sinal Preto no Brasil e nos dias 6, 7 e 8 os blogueiros confabularão sobre os desafios do motim!

Parabéns camarada, você é motivo de grande felicidade para mim e, imagino, para todos os comunistas bem como para a UJS em especial a do RJ.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

STF deve se debruçar sobre união homoafetiva

Texto reproduzido do sitio www.conjur.com.br
A união de pessoas do mesmo sexo vem sendo discutida com mais intensidade pela sociedade e pela Justiça nos últimos anos. Pois, a intolerância contra esses casais pode acontecer à luz do dia. Como estão perdendo no âmbito da civilidade, algumas pessoas estão partindo para o da violência, para o campo do terror e do ódio contra os homossexuais.
Para evitar novos episódios de agressões físicas, a medicina e a Justiça brasileira vem dando importantes passos contra a discriminação aos homossexuais. Agora, casais do mesmo sexo podem recorrer a técnicas de reprodução assistida para ter filhos. Antes esses procedimentos só podiam ser feitos em casais heterossexuais.
Mesmo sem esse procedimento, a Justiça já concedeu aos casais de mesmo sexo o direito de adoção, reconhecendo que pessoas do mesmo sexo formam uma entidade familiar e por este motivo podem adotar uma criança. Mesmo sem uma lei específica sobre adoção de crianças por casais de mesmo sexo, pelo menos 20 sentenças já foram proferidas a favor de casais homossexuais.
Além da inexistência de uma lei específica para a adoção, o Brasil também não possui lei sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo. Desse modo, o país ainda luta para combater essa intolerância. Assim, mesmo não havendo uma lei específica, é possível que duas pessoas do mesmo sexo assinem o chamado pacto homoafetivo1.
Mesmo com todos os tristes episódios envolvendo agressões contra homossexuais, uma coisa é certa: nos últimos 10 anos, os direitos dos homossexuais passaram a ser mais debatidos. Existe uma tendência maior à aceitação da sociedade e dos magistrados. Muitos destes têm entendido que a união homoafetiva como uma sociedade de fato. Exemplos disso são duas decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça que entenderam que a união homoafetiva não passa de uma sociedade de fato2.
Tais decisões surpreenderam, pois foram foi de encontro a decisões que deram direito a pensão por morte a um parceiro sobrevivente3 e outra que garantiu a adoção para um casal do mesmo sexo4. Além disso, essas decisões podem destruir o que vem sendo construindo ao longo de uma década, que superam o número de 800 julgamentos5.
No entanto, com decisões seguindo os princípios constitucionais, a Justiça tem permitido retirar, em favor de parceiros de mesmo sexo, importantes reflexos no plano do Direito e no âmbito das relações sociais. Além disso, a discussão desse tema pelos tribunais demonstra a urgência em atribuir adequado estatuto de cidadania às uniões homoafetivas.
É inegável que a sociedade evoluiu, que as questões sociais se modificaram, as problemáticas se alteram constantemente perante o contexto histórico jurídico, por esta razão é imprescindível a evolução do conceito de moralidade e o abandono de crucificações cristãs para que essa discussão seja feita de forma igualitária.
A Lei 9.278/1996 que, ao regular o parágrafo 3º do artigo 226 da Constituição Federal, reconheceu, apenas como entidade familiar, "a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família".
Diante deste cenário e das proporções atingidas, o Congresso Federal deve mudar de comportamento. Pois existem 19 projetos de lei tramitando no Congresso Nacional, um deles é o que torna crime a homofobia. E nada disso avança. É preciso levar em conta que o nosso legislador não pode ter medo de ser rotulado de homossexual ou ter uma visão restrita do conceito família.
A legislação deve evoluir e incluir a proteção aos vínculos em que há comprometimento amoroso. Existindo convivência duradoura, pública e contínua entre duas pessoas com o objetivo de constituição de família, independentemente do sexo dos parceiros.
Ao comparar a legislação brasileira com a de outros países os operadores do direito podem aperfeiçoar seu raciocínio jurídico, pois, quanto mais se compara o direito com o de outras nações a tendência é que a norma jurídica seja mais avançada e mais perfeita.
Neste sentido, na Itália, a união civil entre pessoas do mesmo sexo não é permitida. Da mesma forma, a França não permite o casamento homossexual, no entanto, os casais homossexuais têm amparo legal graças à lei Pacto Civil de Solidariedade (PACS). Esta lei, aprovada em 1999, dá caráter legal a pessoas que vivem juntas sem ter consolidado o matrimônio, independente do sexo. Herança e outras medidas fiscais e sociais previstas a casados são estendidas a quem firmar este pacto. Porém, aos casais homossexuais não é permitida a adoção.
Países como a África do Sul, Alemanha, Andorra, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Colômbia, Croácia, Dinamarca, Equador, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Irlanda, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Suíça, Tasmânia e Uruguai, possuem leis que permitem a união civil homossexual.
É importante frisar que muitos destes países reconhecem a união, dando-lhe amparo legal, mas não permitem o casamento. Sendo este permitido na África do Sul, Argentina, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal e Suécia. Além disso, as leis variam de país para país, com variações em termos como adoção por parte destes casais, por exemplo.
Ao retornar das férias, os ministros do Supremo Tribunal Federal irão se debruçar sobre assuntos polêmicos, entre eles a união civil homossexual. O caso que será analisado é uma ação6 movida pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. No texto ele aponta que o Código Civil brasileiro, em seu código 1.723, legitima a união estável entre heterossexuais, dessa forma, pede que o mesmo regime jurídico seja estendido aos servidores do estado que tem união homoafetiva. Em parecer sobre o caso, o Ministério Público pede ao Supremo que a decisão seja ampliada em âmbito nacional para todos os que vivem nessa situação.
Há também no Supremo a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.277, que pede o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.
Assim, enquanto não há uma decisão, é preciso que o Poder Legislativo, o Judiciário, o operador do Direito e a sociedade estejam atentos às mudanças sociais e jurídicas na tentativa de evitar ou reduzir ações que separam a sociedade, o cidadão e o Estado de uma convivência igualitária.

Bibliografia
DIAS, Maria Berenice. União Homoafetiva: Preconceito e a Justiça. Ed. Revista dos Tribunais. 4ª Edição. São Paulo. 2009.
MARTINS, Ives Gandra. Comentários à Constituição do Brasil Volume 8. 2.ª Edição. Saraiva. 2000.
1. É um documento público registrado em cartório para oficializar a união.
2. STJ, Resp 704.803-RS e 633.713-RS, 3ª T., Rel. Min. Vasco Della Giustina (Desembargador convocado do TJRS), j. 16.12.2010.
3. STJ, Resp 1.026.981- RJ, 3ª T., Relª. Min. Nancy Andrighi, j. 04.02.2010.
4. STJ, REsp 889.852-RS, 4ª T., Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 27.04.2010.
5. Decisões disponíveis no site: http://www.direitohomoafetivo.com.br/.
6. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132.

Dilma, a oposição e a gramática da política

A oposição ainda não se refez do golpe que foi a terceira derrota presidencial consecutiva. A própria campanha e as contradições com que a conduziu Serra agravaram a situação. Agora, ela se vê às voltas com a disputa de rumos sobre projeto para 2014.
Por Walter Sorrentino
Mais uma vez isso assume a feição de uma disputa pela hegemonia do comando do PSDB, entre o núcleo paulista e Aécio Neves. Mais uma vez, disputa entre caciques, em guerra não-convencional. O eleitorado de 44 milhões, fica a esperar a fumaça branca, os articulistas da mídia se desesperam.
Estocadas de parte a parte ocorreram. Serra está enfraquecido pela derrota, mas só disse “até logo”. Aécio motivou adesão a Sérgio Guerra na presidência do partido. Já a bancada elegeu o líder Nogueira, de composição entre Alckmin e Serra. Aloísio Nunes revidou dizendo que “Aécio não é candidato natural em 2014”. A disputa alcança o DEM, nesse caso teleguiado pelo PSDB. ACM Neto na liderança foi uma derrota para Kassab — o que pode acelerar sua ida para o PMDB. E também atinge o PPS, que faz um bloco com o PV esperando a coisa clarear.
Nessas horas entra FHC, nada neutro nessa disputa pela hegemonia, como a “voz cantante”. Em seu artigo dominical, “Tempo de Muda”, ele abre a metralhadora giratória contra tudo do governo Dilma, sem esquecer o antecessor Lula. Pode-se dizer que, para ele, o tempo é de berrar. Sustenta assim o propósito de Serra, que é duro na queda e manobra para se manter à tona. Se em acordo com Alckmin, pode voltar a se candidatar em 2014 ao governo estadual.
Mas, e se Alckmin compuser com Aécio? Na verdade a chave é essa: a força de Alckmin e a força de Aécio. No meio, a força da disputa até a última gota de Serra (e FHC) sobre o comando.
A oposição está no particípio passado que quer se fazer presente. O futuro vai ter que esperar. Com esse tom de Serra de que “será preciso demonstrar quem de fato defende a social-democracia”, denunciando que “o PT adotou as bandeiras, mas subverteu as práticas”, não vai ser fácil. Nada mais paulista, aliás. Vai demorar, então, para encontrar seu eixo, porque precisará reaprender a dialogar com o país da nova realidade sócio-econômica da maioria do povo. Por ora, só essa luta interna, e la nave va.
***
O governo Dilma está no tempo infinitivo; representa uma ação, mas ainda não completou a gramática do tempo, modo, aspecto, número e pessoa. Foi composta uma agenda do governo e um novo estilo da presidente. Há forte disputa conservadora sobre o rumo do governo, expresso na toada de comparar Dilma e Lula, enaltecendo-a desmedidamente perante o antecessor.
Por baixo do pano, o jogo é outro: valorizar ajuste fiscal, o combate à inflação pelos meios correntes e estreitos dos juros altos, câmbio solto na flutuação, política externa de realinhamento com EUA. Financial Times e Estadão são mestres nisso… é a lua de fel com Dilma.
A agenda Dilma pode ter êxito. Mas dependerá de uma equação macroeconômica mais corajosa, para afirmar uma onda de investimentos inédita. No plano político, PT domina a cena do governo, já provocando descontentamentos vários e preocupantes pelo quase-monopólio político.
A questão central, não enfrentada todavia, mas estratégica para o êxito dessa agenda, é a constituição de um núcleo programático sólido no centro do governo, com forças político-partidárias, setores e lideranças avançados. Só assim se pode dar governabilidade ampla ao governo Dilma, sem perder o rumo. Por ora, apenas o PT está posto nesse núcleo. Não basta. Será preciso instá-lo, e igualmente o governo Dilma, para cumprir papel mais de liderança que de força. A esquerda deve ter maior papel nesse processo, junto às forças sociais populares em sustentação da agenda do governo.
***
Há fatos correlatos no movimento político que alcançam dimensão nacional, principalmente quando envolvem São Paulo e o PMDB.
Michel Temer é vice-presidente da República, do PMDB de São Paulo, e o ex-líder Quércia faleceu. Kassab prefeito (DEM) se movimenta para uma nova formação, politicamente forte, precisamente o PMDB renovado. Têm um Ministro da Agricultura, forte, cujo filho deputado federal presidirá o partido.
Com isso, o PMDB em São Paulo volta a ser uma dessas reservas políticas que promete modificar a bipolarização extenuante entre PSDB e PT, que levou à derrota do PT em 16 anos ao governo estadual, desde que Quércia, liderança democrática, foi espremido pelo PSDB e PT. Volta a se instituir um centro político no Estado, muito bem vindo.
Os políticos são como as nações: necessitam de espaço vital para seguir adiante na afirmação de seu projeto. Kassab visa ao governo em 2014. Por ora, objetivamente, vai para a base de sustentação de Dilma, não apenas porque é prefeito e necessita de apoio administrativo. Serra, seu aliado, objetivamente vai para a “política do berro” contra o governo, em direção 180° contrária.
Em 2012 poderão não se deslindar necessariamente os liames, dependendo dos acertos entre Serra e Alckmin no PSDB. Identidades eleitorais, em ambiente de duopólio político como São Paulo nas últimas décadas, são deslindadas processualmente. Mas Kassab terá que abrir seus próprios caminhos para candidatar-se ao governo em 2014, objetivamente se contrapondo a Alckmin. Esse movimento já está em curso, com cautela e habilidade. Daí sua importância estratégica para despolarizar a cena política de São Paulo.
Muita coisa está em aberto, mas essa é a grande novidade política no país.
***
Mas o PMDB não segue incorrigível. A proposta de Michel Temer endossada na PEC do senador Francisco Dorneles é um despautério político. Introduz os “distritões” eleitorais como ponto central da “reforma política”. Seriam eleitos apenas os nomes mais votados até o número de vagas, em cada estado, a deputado federal. Seria o triunfo final do personalismo na política, uma esbórnia do poder econômico nas eleições, a desmoralização final dos partidos políticos. Custa a crer, mas é algo só existente hoje no Afeganistão, Indonésia e Jordânia.
A representação proporcional, única capaz de representar de fato o conjunto da nação e do povo, vai pro espaço, retornando um esquema que prevaleceu no fim século 19 e início do 20. Ora vejam que ideia avançada de nação têm essa gente. Distritão é uma barbaridade, totalmente na contramão do impulso civilizatório necessário ao país. Pelo menos os tucanos são mais explícitos em mostrar seus punhos de renda, porque defendem abertamente o sistema distrital, sabidamente produtor de bipolaridade política e fortalecimento do poder econômico nas eleições de deputados; (mais) uma elitização aberta do sistema político.
Enquanto o PMDB imaginar que só pode sobreviver com tais expedientes, não passará da condição de pêndulo político. Se não for capaz de relacionar qualquer pretensão de reforma política a uma ideia de nação ainda por completar sua formação democrática, incorporar a maioria da cidadania ao seu escopo, impulsionar o desenvolvimento e outro estágio civilizatório, o PMDB é pigmeu olhando para seus pés, um verbo defectivo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

FSM: Não se pode trocar neoliberalismo por nacionalismo atrasado, diz Lula

Texto reproduzido do sítio opera mundi
07/02/2011 – 18:01 | Eduardo Castro/Agência Brasil | Dacar
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do Fórum Social Mundial uma postura firme diante da posição dos países ricos em relação à África. “Penso que o fórum deveria tomar uma decisão: não é possível que o mundo rico não assuma um compromisso com o Continente Africano, exatamente no momento em que o preço dos alimentos sobe no mundo inteiro. Não pensem que o G20 tem sensibilidade para o problema da fome. Só fomos chamados para reuniões com os países ricos quando eles entraram em crise e precisavam do nosso apoio”, afirmou Lula.
Lula ganhou aplausos dos representantes dos movimentos sociais que lotaram o auditório, entre eles muitos brasileiros, ao dizer que acha que “não faz sentido que FMI [Fundo Monetário Internacional] e Banco Mundial imponham ajustes que inviabilizem políticas públicas de incentivo à agricultura em países pobres”.
Também foi saudado ao afirmar que é cada vez mais forte a consciência de que fracassou o chamado Consenso de Washington (conjunto de medidas pactuadas em 1989 por organismos financeiros multilaterais, como FMI e Banco Mundial, que serviu de base para políticas de estabilização econômica de países em desenvolvimento). “Quem, com arrogância, nos dava lições, não foi capaz de evitar a crise nos seus próprios países. Felizmente não vigoram mais as teses do Estado mínimo, sem presença reguladora. O mercado já não é mais a panaceia”.
Lula completou dizendo que não se pode trocar o neoliberalismo pelo “nacionalismo atrasado, opção da direita americana e europeia, culpando o imigrante pela corrosão social”.
Lula participou de uma mesa sobre o peso geopolítico da África, ao lado do presidente de Senegal, Abdoulaye Wade. “O Brasil não tem pretensão de ditar modelos para ninguém”. Mas, segundo ele, “nosso êxito pode ser um estímulo para a construção de um caminho alternativo ao desenvolvimento sustentável e igualidade social”.
“É hora de colocar o desenvolvimento e a democracia no centro da agenda africana”, afirmou o ex-presidente. “É urgente incorporar à cidadania milhões de africanos pobres, o que será importante também na recuperação da economia mundial”. A saída, segundo ele, é produzir alimentos. “Não há soberania efetiva sem segurança alimentar”.
Lula disse que leva ao fórum a mensagem de quem governou o país com a segunda maior comunidade negra do mundo (80 milhões de pessoas), menor apenas que a da Nigéria. Repetiu o pedido de desculpas feito quando da primeira visita ao Senegal, em 2005, por causa do processo de escravidão ocorrido no Brasil até o fim do século XIX. “A melhor maneira de reparar é lutar para fazer desse Continente um dos mais prósperos e justos do século XXI”.
Na sequência, o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, afirmou ter “profundos desacordos” com os participantes do fórum porque é “um liberal, partidário da economia de mercado, e isso diz tudo”. Entretanto, afirmou, o Fórum Social é importante porque “o mundo espera pela ideia que o salvará do caos”.
Presidente desde 2000, Wade afirmou que o Senegal melhorou muito desde então. “A renda per capita era de menos de U$ 1,5 mil em 1999. Hoje é de 1,34 mil dólares, duas vezes e meia o limite da pobreza”. O país também é autossuficiente na produção de alimentos.
“A aspiração à mudança é fundamental. E hoje a África está numa encruzilhada. A imagem é de continente pobre, mas é preciso corrigir essa ideia. Ela não é pobre – foi empobrecida”, sentenciou o presidente do Senegal. Wade disse que apoia a proposta de taxação do fluxo de capitais em 20%, o que geraria recursos para combater a pobreza. E defendeu que a África tenha um assento com direito a veto no Conselho de Segurança das ONU. “70% dos temas tratados [no conselho] são relativos à África”, disse o presidente senegalês

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Que educação?

Texto reproduzido do Blog da Dilma

Publicado em 29/01/2011

Maressa Vieira,Engenheira e Professora,29.01.2011

Ao analisarmos a educação brasileira, perceberemos que, apesar dos esforços do governo nessa área e, notadamente no ensino básico, muito se deixa a desejar.

Concordo que se faz necessária uma mudança na condução da forma de proporcionar o conhecimento, gerar o aprendizado que cultivará a vontade de aprofundamento do saber, enfocando o fazer, ou seja, saber para fazer e alcançar objetivos de forma resolutiva e eficaz de questões que aprimorem o desenvolvimento e à consecução da prestação de serviço.

Questionável ainda é a situação no que diz respeito à falta do profissional da educação em pleno século XXI. Há escolas com déficit de professores e cuja carga horária fica comprometida; comprometida mesmo fica a educação dos estudantes.

O quadro gera além da descontinuidade da aprendizagem à sensação de desvalorização do educando que se vê prejudicado nos seus anseios e na sua formação, sem contar que o professor, seja efetivo ou temporário, precisa realmente contar com apoio continuado dos órgãos gestores para fazer fluir todo o seu empenho na tarefa de ensinar.

É bom lembrar que o professor é figura, instrumento maior na formação de toda e qualquer profissão e é justo que seu valor seja reconhecido não só em termos de salário, mas, sobretudo, através da sua qualificação profissional, com aprimoramento voltado à sua área e de forma a atender mais e mais o educando da atualidade.

Aponto como necessidade prioritária no início deste ano letivo que os governos estaduais concluam seu quadro de professores, seja através de concursos ou chamamento de concursados para evitar danos aos alunos que trazem anos de defasagem, isto tanto em relação ao conhecimento, como em termos de idade.

O Brasil deve seguir mudando, crescendo e a educação é base dessa construção. Como atingir o perfil de país desenvolvido se há escolas sucateadas, sem o amparo legal assegurado na lei maior, ainda carente do cumprimento que garanta a real possibilidade de atender à demanda de forma eficaz?

Sabe-se que é preciso mudar a visão de educação pública do país. Chega de pensar equivocadamente que qualquer pessoa pode assumir uma sala de aula, como se educar fosse uma tarefa fácil de executar, como se a escola pública não tivesse um percentual enorme de alunos que merecem total atenção, sendo brasileiros e futuros profissionais contribuintes não só de impostos, mas para a grande mudança que se espera e se deseja no seu país.

Continuarei levantando a bandeira em prol da educação da qualidade para todos porque sei da sua importância para o sucesso do Brasil. Primo pela superação da ignorância, do analfabetismo que ainda enegrece nossa história quando analisamos as estatísticas de desempenho dos nossos estudantes.

É providencial que mudem a visão quanto à profissão professor. A valorização desse profissional implica urgência e deve ser motivada pela formação contínua que implicará mudança de conceitos da sociedade quando os resultados forem favoráveis.

Somente com a formação que implique na frutificação do conhecimento, da emancipação e conduza a uma autorrealização é que poderemos transformar nossa existência, nossa capacidade de agir conscientemente, atuando como protagonistas na condução da transformação do país e como força contribuinte para que se firme como desenvolvido, fortificando seu alicerce, dando suporte ao seu futuro.

Surge o PMB

Texto reproduzido do sítio www.estadão.com.br

José Orenstein

“Nós vamos invadir o Congresso”, afirma o capitão da Polícia Militar de Ourinhos (SP), Augusto Rosa. Mas antes que alguém se assuste com uma nova investida da caserna no Parlamento, ele completa: “Pela via democrática. Pelo sufrágio universal”.

O capitão Augusto é o idealizador do Partido Militar Brasileiro, o PMB. No último dia 29 de janeiro foi realizada a convenção nacional do partido, que já tem estatuto aprovado e mais de 5 mil pré-filiados nos 27 Estados do Brasil – a Constituição exige pelo menos 101 membros-fundadores em nove Estados. O próximo passo para oficialização é, segundo o Capitão Augusto, levar a documentação à Brasília, onde ele aterrissa neste domingo, 6 de fevereiro, para publicar no Diário Oficial a demanda. Na segunda-feira ele faz o requerimento ao Tribunal Superior Eleitoral e o registro no cartório de notas.

“Onde existe o caos, é o militar que dá jeito”, afirma o capitão, exortando sua categoria. Ele lembra que a instituição militar – que inclui os policiais, bombeiros, a Aeronáutica, Exército e Marinha – é das mais bem vistas pelo povo, segundo pesquisas. “Num país eminentemente cristão, nós somos considerados mais confiáveis que a Igreja Católica!”, exclama.

A ideia da criação de um partido militar começou a ser acalentada pelo capitão após algumas tentativas de candidatura como suplente de deputado estadual. Em 2003 então juntou simpatizantes e foi estudar como se cria um partido. Oito anos depois, a ideia deu certo.

“Somos mais de 1 milhão no Brasil – e em todos os mais de 5 mil municípios”, conta o capitão Augusto sobre a presença militar no País. O partido já tem diretórios organizados nas 27 unidades da Federação. E, dentro do partido, a tão importante hierarquia militar é deixada um pouco de lado. “Tem soldado que é presidente de diretório e general que é assessor dele”, afirma. E se diz surpreendido ainda pelo fato dos militares proveninentes das Forças Armadas terem aderido à sua ideia. Segundo o capitão 70% dos pré-filiados são dessa carreira.

Ideologia. Questionado sobre a orientação do PMB, capitão Augusto não vacila: centro-direita. E a principal bandeira é, naturalmente, a segurança. A soberania da Amazônia e a garantia do ‘cidadão de bem’ – “aquele que não comete crimes, respeita o outro e o patrimônio alheio”- são os temas em que o PMB pretende concentrar esforços. “Essas progressões de pena, os indultos sem critério nos presídios, isso é um absurdo!”,diz o militar. “Os direitos humanos tem que ser garantidos principalmente pras pessoas de bem”.

Mas o capitão Augusto lembra também que os presos têm seus direitos. “Se cometeuo crime, tem que cumprir a pena, sim. E a pena tem que ser vista não só como ressocialização do preso, mas como castigo. Mas o preso, que perdeu seu maior direito, a liberdade, não pode perder também a dignidade.” A situação dos presídios abarrotados, em que os detentos “são tratados como animais”, é uma das questões a ser atacada pelo PMB.

E o que o PMB pensa sobre o período marcante da ditadura militar? “Somos contra. Abominamos o período. Seria covardia vincular a ditadura conosco.Se você for ver, são 500 anos de serviços prestados ao Brasil. A ditadura foi só 20 anos.”

Capitão Augusto é favorável a uma ampla investigação sobre o período do regime, que esclarecesse o que aconteceu “dos dois lados”. “A gente quer emprestar nosso patriotismo, nossa ordem ao povo. Ele é quem. Por que o preconceito com um partido militar?”.

O PMB pretende lançar candidaturas nas eleições municipais de 2012 e 2014. No estatuto está proibida a coligação com partidos maiores, “porque queremos marcar diferença pela retidão,diferente de partidos pequenos que se vendem”, explica o capitão Augusto.

Mas, quando enfim for homologada a criação do primeiro partido militar brasileiro, o capitão e fundador vai se desfiliar. É que a Constituição impede que militares na ativa sejam filiados e eleitos.”Isso é um absurdo. Qualque cidadão de qualquer categoria pode se filiar e candidatar. Menos o militar”, reclama. A revisão dessa lei é um dos objetivos do PMB – que vai contar entre os filiados registrados no TSE apenas militares da reserva.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sinal Preto: O Governo e o Brasil do século XXI

Sinal Preto: O Governo e o Brasil do século XXI: "A publicação aqui no Sinal Preto dos dois artigos anteriores tem um propósito que é de ilustrar e embasar o balanço a ser feito das condiçõe..."

Esclarecendo a polêmica do Creative Commons

O Dilema Dissonante vêm passando por transformações e uma delas será incluir periodicamente entrevistas com lideranças dos movimentos sociais e pessoas esclarecidas sobre determinados temas para nos elucidar sobre problemas que são de interesse da sociedade. Iniciaremos hoje tal projeto entrevistando o Diretor de Cultura da UNE Felipe Redó e Aline Carvalho que é formada em estudos de mídias pela UFF e Mestranda em Paris VIII.

Felipe Redó 

1.Primeiramente, para que os leigos possam entender. Há diferença entre licenciamento e liberação?

Liberação é o ato de liberar a obra para um fim definido, sob os termos legais determinados pelo autor. Estes termos são as licenças, que definem juridicamente o uso que pode ser feito da obra. Por exemplo, no caso de uma música sob licença Creative Commons BY - NC, a letra e/ou os arranjos podem ser copiados, distribuídos, transmitidos ou utilizados para criação de obras derivadas, desde que citada a fonte (BY) e que o produto seja compartilhado sob a mesma licença (SA).

2. Por que não é suficiente a liberação do conteúdo, ou seja, por que é necessário o licenciamento?

Porque o licenciamento tem fundamentos jurídicos para definir os termos de uso daquele conteúdo. No caso do Creative Commonms, que é uma licença reconhecida internacionalmente e adotada por diversos países, o logotipo CC BY SA é uma identidade visual que remete a um tipo de uso que pode ser feito, inclusive para usuários que não falem português, por exemplo. Ao clicar sobre a logo, o usuário é encaminhado para a página do CC que explica os termos de uso daquela licença. A simples "liberação do conteúdo" não possui efeito legal e dá margem a uma situação de insegurança jurídica para quem reutiliza este conteúdo.

3. Como você avalia a troca da CC pela liberação do conteúdo?

Existem duas avaliações para a retirada do CC do site do MinC.

A primeira, técnica, é negativa por não ter efeitos jurídicos claros, como explicado acima.

A segunda, política, é ainda mais precoupante, por diversas razões. O CC vinha sendo apoiado pela gestão anterior como um estímulo à discussão sobre cultura digital e novas formas de produção e circulação da cultura. Retirá-lo é claramente uma demarcação política de oposição à gestão anterior, que, embora tenha tido seus erros enquanto gestão, teve um avanço reconhecido na área em questão, colocando o Brasil como referência no cenário internacional da cultura digital.

Este é então é um ato simbólico e também um recado da ministra e sua equipe - claramente vinculados à classe artística conservadora e ao Ecad - de que não estão inclinados à discussão sobre direitos autorais.

Além disso, outros sites governamentais no mundo inteiro - inclusive o próprio blog da presidência (http://blog.planalto.gov.br/) - utilizam este tipo de licença, sob o entendimento que as informações contidas num site governamental são, por definição, públicas. (Sobre isso, ver http://www.dalicencaminc.com.br/, site criado por ativistas da cultura digital comparando o site do MinC com outros sites que fazem uso de licença CC)

Fruto de falta de informação ou rixa política, fato é que esta descontinuidade vai contra a linha de governo com a qual se comprometeu a presidente eleita, frustrando assim boa parte da classe cultural que votou em Dilma pela garantia da continuidade das políticas do Lula. E a cultura digital foi, nos últimos 8 anos, um dos maiores avançoes do governo no cenário cultural, técnico e social do país.

4. Este processo de engavetamento da lei de licenciamento pode prejudicar o desenvolvimento tecnológico do país? Como?

O que foi "engavetado" foi a revisão da Lei de Direito Autoral (9610/98), realizada durante o ano de 2010 através de consulta pública e centenas de reuniões com diferentes setores culturais. Este marco regulatório vai além da questão do licenciamento propriamente, e define a concepção de direito autoral, direito patrimonial e direitos de exploração.

A necessidade de revisão se dá pelo fato da atual legislação ser excessivamente restritiva em relação aos acordos internacionais de propriedade intelectual, e em diversos pontos confusa, como por exemplo: "(...)fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro" (como pode um marco regulatório legislar sobre o futuro?)

A criação humana é fruto do contato com outras criações, e o desenvolvimento (não apenas tecnológico, mas social, criativo, científico), depende desta relação. No plano imaterial do conhecimento, a troca de informações e idéias muitas vezes possibilita mais o avanço da criação humana do que seu atraso. Sobre isto, Thomas Jefferson, no longíquo século XVIII, já indicava: "quem acende sua vela na minha, recebe luz sem me mergulhar na escuridão".

O problema do projeto ser engavetado é não apenas possível atraso no desenvolvimento tecnológico, mas também o desperdício de trabalho e dinheiro público investidos nesta ampla discussão, que contou com a opinião de juristas, técnicos, artistas, estudantes e ativistas da área. Um gestor público não deve agir conforme sua opinião pessoal, mas deve ter em mente o caráter público de sua função.

Agora, o pior, é a possibilidade do projeto, que já estava na Casa Civil, retornar ao Ministério para que, entre quatro paredes, seja reformulado após uma (re)consulta a técnicos do setor - vale dizer, situados à outra margem do que vem sendo discutido no país a respeito do incentivo à criação e acesso ao conhecimento.

Gil critica ''ação açodada'' do Minc

Texto reproduzido estadão.com.br

Para o ex-ministro Gilberto Gil, que se autodefiniu certa vez como "o ministro hacker", a questão da nova ordem é crucial. Não foi à toa que ele, em 1963, já tinha composto a canção Cérebro Eletrônico, na qual antevia a importância dos computadores. Num dos seus discos mais recentes, Gil também já cantava: "Banda larga mais democratizada ou então não adianta nada. Os problemas não terão solução". No início dos anos 2000, fez Pela Internet, na qual falava da nova realidade de entrar na rede, "juntar via internet um grupo de tietes de Connecticut".

Beti Niemeyer/Divulgação

Gil. “Coisas absurdas são ditas sobre as licenças”

Em 2004, decorrência de tudo isso, ele - como ministro da Cultura - foi o primeiro artista brasileiro a ceder uma obra para as licenças Creative Commons (CC). Há 14 dias, a sua sucessora no cargo, Ana de Hollanda, retirou do site do MinC as licenças CC, o que tem provocado acalorado debate na rede. Ao Estado, pela primeira vez, Gil falou sobre o caso.

Você tem acompanhado essa polêmica da retirada das licenças Creative Commons do site do MinC?

Tenho acompanhado, é claro, com interesse. São consequências naturais de mudanças de grupos, de conceitos. Espero que essa polêmica seja pautada pelo diálogo. Agora mesmo eu estava lendo o artigo do Hermano Vianna (sociólogo adepto da tese do copyleft) em O Globo, ele fala do açodamento, da pressa em se retirar esse logo do site do MinC.

O ato foi logo nos primeiros dias de governo, o que parece marcar uma ação simbólica...

Se é isso, que fique nisso e se esgote nisso. Se é para marcar uma mudança de guarda, que não fique só nisso. Porque essas iniciativas, como o Creative Commons, não continham essa ideia do particularismo. É algo que deveria se propagar por aí. Você veja que os conteúdos do governo inglês estão sob uma licença que foi criada para isso. O governo da Austrália usa as licenças Creative Commons. O que o Hermano (Vianna) fala é para que o Estado abra os olhos para a necessidade de se compreender. Não precisa necessariamente usá-la (a licença Creative Commons), mas fazer dela um marco para a criação de outras. É preciso levar em conta o caráter institucional, formalizador, a dimensão jurídica para a autonomia do autor, para dimensionar essa licença, entender seus limites. Seu caráter limitado ou ilimitado. Não pode examinar com uma visão apressada, que talvez seja o que esteja na base dessa iniciativa, (a crença) de que essa licença e todas essas licenças similares enfraquecem o direito autoral.

A primeira vez que você falou em Creative Commons foi em 2003.

E as pessoas não estão ainda devidamente informadas. O lado que defende tem sido mais cuidadoso em esclarecer a licença, a variedade dessas licenças, do que o lado que ataca, que recusa. Esse lado não tem vindo para uma dimensão esclarecedora. Ouço vários deles dizendo que o CC é um instrumento das multinacionais americanas, coisas absurdas desse tipo. A surpresa que você teve em 2003 deveria hoje se converter em um instrumento para a compreensão ampla dessa possibilidade.

O debate parece conter também uma ideia conspiracionista, de que, por ser americana, a licença é nociva. Lembra o debate sobre as guitarras elétricas.

Porque a ideia veio de um acadêmico ativista americano? Não tem sentido. O lado contrário às licenças livres, nos Estados Unidos, os interesses ligados à questão coletiva de direitos autorais se opõem ao Creative Commons da mesma forma que os daqui.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Por que tragédia?

Usualmente a palavra tragédia está em nossos cotidianos como o significado de algo ruim, algo destruidor. Recentemente, por exemplo, uma tragédia assolou a região serrana do Rio de Janeiro e fez inúmeras vítimas. A tragédia, portanto, carrega o peso do sofrimento e da dor. Tendo isto em vista iniciei a me perguntar por que ela uniu os filósofos Marx e Nietzsche, ora, talvez tenha sido pelo nível de violência que assolava a Europa em sua época, mas tal resposta, historiográfica, não poderá nos dar o peso adequado de um conceito filosófico e, portanto, é indispensável investigar o que há no trágico que os encantou.

Em uma filosofia voltada para a vida as palavras possuem um peso. Este peso associa-se tanto com seu sentido de senso comum, vez que a filosofia tem o objetivo de tocar as pessoas, mas também revela a profundidade de um conceito que explica a realidade a partir de uma noção sistémica. Ora, incluir Nietzsche e Marx em uma mesma tradição filosófica, ou seja, num mesmo modo de analisar os problemas do mundo seria por demais problemático e nos afastaria do tema central que é entender por que o vigor do trágico tem relevância entre estes pensadores e mesmo entre nós.

A pergunta que devemos fazer então é o que Marx quis dizer quando afirmou que “Todos os grandes fatos e personagens históricos ocorrem duas vezes uma como tragédia e outra como farsa” E, por mais contraditório que isto possa parecer, Nietzsche é capaz de explicar tal afirmação nos lembrando que não é só a destruição que a tragédia traz, mas também o belo e o novo, em seu dizer a tragédia é “Um vento de tempestade que apanha tudo o que é gasto ,podre, quebrado, atrofiado, envolve-o no torvelinho de uma nuvem rubra de poeira eu carrega como um abutre pelos ares”

Se aproximam, então, as noções do entendimento de mundo dos filósofos poís ambos percebem a mútua relação entre a destruição e o novo, ou seja, é necessário que um desapareça para que outro possa surgir. Com isto, entendemos o efeito do trágico e percebemos que as visões de mundo tem pontos de encontro mas nada dissemos ainda sobre o que é a tragédia.

Neste sentido, ambos, Marx e Nietzsche, cada um a seu modo percebeu em sua época o renascente interesse pela antigüidade e, com acuidade, ambos diagnosticaram tal interesse como uma ilusão, um meio de esconder os limites que a violência e o desejo de liberdade possuíam por causa da vida material. Assim, inicialmente a tragédia é uma pulsão pela liberdade que desenfreadamente segue seu curso e só retoma seus limites a partir da forma histórica que as condições de vida lhes permitem. Assim sendo, conforme Marx, uma vez que cessa a pulsão pela transformação podem surgir os novos intérpretes da sociedade e os seus novos problemas.

Assim, enquanto vigora o vigor do trágico escondem-se os limites históricos da ação e o homem, como herói de seu tempo, é impelido ao agir em direção à sua tarefa nobre de realizar a libertação da humanidade.

A farsa, por seu turno, é o simulacro deste agir (trágico) que retoma, segundo Nietzsche, a ligação com o cerne do mundo, no sentido de compadecer-se tanto com a dor do outro, ou melhor, da inexistência de outro que impele ao agir. No simulacro o que ocorre é a repetição deste impulso como resposta aos problemas que a interpretação corrente de mundo não consegue, por seus limites históricos, responder buscando, por isto, na caturrice de reviver o passado tentar obter meios para dar conta de seus problemas sem ser obrigado a permitir que venha novamente, segundo Nietzsche, tudo que os farsantes tem mais medo é a tragédia pois ela representa seu ocaso.

Marx e Nietzsche como vimos confluem na visão de que a tragédia traz o novo orientada pelos seus limites históricos e, talvez, nem precisássemos deles para perceber isto bastaria olhar para situações em que as pessoas compadecem da dor como se fosse sua. Seu mérito é a uma perceber isto enquanto conceito filosófico capaz de explicar o móbil das pessoas em direção à liberdade e demonstrar o caráter do novo que a destruição e a violência devem necessariamente trazer. São estas as razões que explicam, ainda hoje, o vigor de falar em tragédia conceitual pois é na esperança de que as palavras faltem e nós resgatemos o sentido dos clássicos que se encontra o fundamento de todo agir até que possamos deixar de ser farsantes e cunhar uma nova interpretação do mundo.

Dois pesos e duas medidas: agora o Egito, mas com a manipulação contumaz da imprensa brasileira

Dois pesos e duas medidas: agora o Egito, mas com a manipulação contumaz da imprensa brasileira

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nacionalismo e identidade nacional

Falamos nesta quadra da História em nacionalismo, mas a experiência que temos da hisatória mundia nem sempre e das melhores ou por vezes trata-se apenas de um nacionalismo econômico, ou seja. Esta visão, economicista, não leva enconta o desenvolvimento do espírito nacional.

Marx afirma que um sistema, neste caso o capitalista, não se dissolverá enquanto não se esgotarem suas possibilidades e, na “Crítica à filosofia do Direito”, dirá o mesmo em relação à filosofia. Ocorre que o governo Lula, pela via econômica, vez que esta identidade era econômica, esgotou o modelo do homem cordial de Sérgio buarque, deixando em nós um vazio sobre quem é o ser Brasileiro, aquele que diz que não desiste nunca.

Esta nova forma de ser Brasileiro surge da prática e clama, desde já, por descobrir sua identidade, seu modo de pensar sob pena de, por meio das elites, ver seu Estado e sua sociedade civil perderem sua capacidade colaborativa em decorrência do não reconhecimento indentitário.Ora, é isto mesmo que desejam os setores que pretendem ver nossa cultura subjugada à um desenvolvimento não soberano, ligado à uma suposta “cultura mundial”.

Existem evidências à exaustão disto como, por exemplo, a interpretação da política por meio dos corredores norte-sul, sendo o primeiro regionalista e atrasado e o segundo desenvolvido e cosmopolita; as manifestações antinordesteoriundas de uma elite paulista; e o preconceitoque experimentamos durante anos com o Presidente Lula e sua esposa.

Tais fatos significam que não será tarefa de somenos encontrar o “ser brasileiro” em seu elemento cultural. Para tanto será necessário um esforço reconstrutivo de nossa cultura nacional e nossas relações com a comunidade lusófona, bem como uma investigação séria acerca de de nossa literatura, nossa arte e de nossa produção filosófica.Tal caráter, pela peculiaridade da formação do Estado e da sociedade brasileira, embora identitário, não será homogêneo.

Ora, subsistirá o traço essencialista que permitirá o reconhecimento de nossa brasilidade. Este se fundará num resgate histórico do espírito brasileiro e não no caráter historiográfico da miscigenação. Isto por que fundar-se na miscigenação somente servirá para negar o caráter identitário brasileiro formado pela junção dialética de diversas culturas.

Somente este caráter identitário nos fornecerá elementos para compreender o povo brasileiro e, só então, cunhar um projeto político que seja amplo e tenha apoio das massas. Tal fato elevará a tese do nacionalismo do plano econômico ao plano humano de realização de todas as nossas capacidades criativas e da maximização do nosso caráter democrático.

Isto por que tal projeto permitirá recolocar a política em seu devido lugar e fixar o partido como pólo de referência de opinião, ou seja, colocá-lo em sua posição privilegiada de, por incluir diversos tipos de formulação poderem ser àqueles que disputa com este projeto caduco de Brasilidade.

Assim, está em nossas mãos, da juventude, redescobrir o Brasil e suas particularidades culturais e democráticas associando-nos a todo tipo de luta deste povo sofrido para que possamos disputar campos de ideias com os conservadores. Por outras palavras, para que possamos nas lutas democráticas oferecer os argumentos que incrementarão o nível de consciência do povo.

Somente isto nos livrará do engano Estatista e do mercadológico em direção a uma sociedade que se organiza e assume para si, na presença de sua vanguarda, a tarefa de construir seu futuro com colaboração e cooperação.

Quero, por fim, ressaltar, que se trata de transformar nosso sonho em realidadee não da mera utopia ou pensamento vazio, pois depende somente de nós transpôr o quietismo. E já mostramos ao longo da história que somos capazes. O que proponho, em suma, é somente uma investigação que nos mostre o que é necessário para que o Brasileiro transponha o individualistamo e tome para si a tarefa de mudar o mundo.

Fácil? Certo que não é mas também é certo que é dever de nossa geração, que vive no olho do furacão, buscar estes novos caminhos.

Peluso defende novo pacto para Judiciário mais eficiente

Texto reproduzido do sítio www.estadão.com.br

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, defendeu nesta terça-feira, 1º, a ideia de ser firmado um novo pacto republicano entre os poderes para dar continuidade ao processo de modernização do Judiciário. Peluso fez a proposta durante a solenidade de abertura do ano judiciário, que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff. "Me dirijo agora, com muita reverência, aos chefes do Poder Executivo e do Poder Legislativo, para lhes exaltar a participação concertada e decisiva para o aperfeiçoamento da Justiça e do ordenamento jurídico, na celebração dos pactos republicanos", afirmou.

Uma das propostas de Peluso exige uma mudança na Constituição Federal. Ele quer que todos os processos terminem depois de julgados pelos tribunais de Justiça ou pelos tribunais regionais federais. Os recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao STF serviriam apenas para tentar anular a decisão, mas, enquanto não fossem julgados, a pena seria cumprida.

Ao contrário do que havia sido anunciado, a presidente Dilma não discursou na cerimônia. A presidente deve revelar em breve o nome de seu escolhido para ocupar a vaga aberta em agosto no STF, com a aposentadoria do ministro Eros Grau. A expectativa é de que o escolhido seja o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luiz Fux.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Partido Comunista e as mudanças estruturais

Texto reproduzido do sítio www.vermelho.org.br

Alcançam repercussão enormemente positiva as resoluções da Comissão Política Nacional, realizada na última sexta-feira (28). Curiosamente, não saiu uma resolução propriamente dita, mas uma notícia sobre a orientação política adotada. Isto dá a dimensão do alcance que têm e do interesse que despertam os debates sobre os rumos do país e os posicionamentos da direção comunista sobre as tarefas políticas, a tática, a perspectiva estratégica e o fortalecimento do Partido.

Por José Reinaldo Carvalho*

É uma boa indicação do empenho que as instâncias dirigentes executivas devem dedicar à preparação dos documentos a serem submetidos à apreciação e deliberação do Comitê Central, em sua 6ª reunião a realizar-se em 19 e 20 de março.

Vale a pena debruçar-se no porquê da repercussão positiva nas fileiras do Partido suscitada pela Comissão Política.

A direção do PCdoB passou em revista algumas questões cruciais da atual luta política em curso no país. A pergunta que não calou na Comissão Política e que está a exigir resposta tão sonora quanto foi formulada, não só pelos comunistas, mas também pelo governo, o PT, os demais partidos de esquerda da coalizão, o movimento de massas, é se o Brasil vai efetivamente mudar, avançar, ou, no que se refere à orientação macroeconômica, ao aprofundamento das políticas sociais e à adoção de uma diretriz de realizar reformas estruturais democráticas, permanecerá na mesmice de considerar primeiramente a conciliação com as classes dominantes. É indispensável dar passos efetivos, mais ousados, para além da retórica, no sentido de construir uma nação democrática, soberana e socialmente avançada.

São elevadas as expectativas do povo brasileiro, suscitadas na campanha eleitoral pelo ex-presidente Lula, pela então candidata e hoje presidente Dilma e pelos partidos que lhe deram sustentação, entre estes o nosso Partido, que sempre estabelece os necessários nexos entre a tática e a estratégia, os objetivos imediatos e os de longo prazo, os compromissos atuais e a missão histórica.

O partido tem feito apostas elevadas no curso político e transmitido ao povo brasileiro uma mensagem de confiança e otimismo. A própria realização do programa partidário aprovado no Congresso em 2009, calcado na correlação de forças presente, estava condicionada à vitória eleitoral. A interrupção do ciclo progressista aberto com a eleição de Lula em 2002 representaria para o país e as forças populares um retrocesso de tal ordem que implicaria redefinições profundas nos terrenos estratégico e tático.

Há um conjunto de preocupações levantadas por todos os que intervieram na reunião quanto a duas ordens de problemas.

Primeiramente, sobre as opções feitas neste início de mandato pela equipe econômica da presidente. Uma manifesta inclinação para o ajuste fiscal, para priorizar o pagamento da dívida através de maiores concessões à oligarquia monopolista-financeira contraria frontalmente os interesses das massas trabalhadoras e populares. Simbolicamente, esta disjuntiva aparece na decisão de aumentar a taxa de juros, velho e surrado método de “combater a inflação”, que vem dos imemoriais e tristes tempos de Pedro Malan, ministro da Fazenda de FHC, e chegou à nefasta gestão da dupla Antônio Palocci-Henrique Meirelles na era Lula. A Comissão Politica firmou posição unânime contra essa orientação: “O PCdoB está em oposição a essa política”, sintetizou o presidente Renato Rabelo.

Aparece ainda na postura governamental em face da batalha pelo aumento do salário mínimo. A equipe econômica fechou-se em copas em torno de uma estreita faixa entre 540 e 545 reais. As centrais sindicais, inclusive a governista e petista CUT, e a CTB, onde protagonizam os sindicalistas do PCdoB, do PSB e os independentes, insistem nos 580 reais. Não é uma briga de torcidas, mas um conflito distributivo, em última instância, de classe. Argumenta-se que não se pode aumentar o salário mínimo para não incrementar o déficit público e o da Previdência, mas fazem-se cedências fiscais, financeiras e de todo tipo à grande burguesia e ao capital estrangeiro. No mínimo, pavimenta-se o caminho para a recessão, ou para um crescimento medíocre, como assinalaram vários dirigentes comunistas.

Reformas estruturais democráticas

A outra pergunta que não calou, não quer e não vai calar é se o Brasil vai ou não vai avançar na realização das reformas estruturais democráticas.

Chama a atenção que, sem exceção, os dirigentes partidários que têm responsabilidades de governo, parlamentares, representantes no movimento social e autoridades partidárias internas foram unânimes em constatar que a realização de reformas estruturais não está no escopo dos debates no parlamento, nos ministérios e na orientação geral do governo. Está no horizonte dos comunistas, de alguns dirigentes e parlamentares de outros partidos de esquerda e do movimento social, mas não no do partido hegemônico nem do governo.

E, no entanto, nada é mais necessário para o Brasil avançar no rumo da democracia, da soberania nacional e da edificação de uma sociedade socialmente justa do que a realização das reformas estruturais democráticas. Na convicção dos comunistas, esta necessidade está posta, para não retroceder no tempo ao ponto de sermos qualificados como jurássicos, desde 1988, quando o saudoso camarada Amazonas disse no 7º Congresso que o Brasil vivia uma encruzilhada histórica, para cuja saída eram necessárias rupturas revolucionárias. A vida apresentou novidades, os dois governos Lula, o governo Dilma, a oportunidade histórica para promover tais avanços.

Para rememorar, as reformas democráticas são: reforma política democrática; reforma agrária; reforma urbana; reforma nos sistemas educacional e de saúde; reforma tributária e democratização dos meios de comunicação. Sua realização não virá por geração espontânea, nem será fruto apenas da ação governamental. Depende muito da luta do povo, dos movimentos sociais, dos partidos de esquerda.

Frente política e social

Por isso avulta, com maior importância do que antes, a questão de construir o sujeito político que assumirá a liderança de mudanças desta envergadura.

Esta construção tem dois elos indissoluvelmente ligados: uma frente política e social, com base popular, constituição ampla e política de esquerda, o que significa uma plataforma anti-imperialista, popular e democrática. O esquema que tem funcionado até aqui – hegemonia do campo majoritário petista numa coalizão fluida em que pontificam até partidos de centro-direita – tem-se revelado insuficiente para promover e realizar transformações estruturais na sociedade.

Construir um sujeito político com as características de frente política e social, de movimento democrático-popular anti-imperialista é tarefa de enorme envergadura, de largo fôlego e prazo dilatado, para cujo êxito seria necessário empenhar esforços desde já. Não há modelos nacionais nem estrangeiros a seguir. O próprio curso da luta definirá suas formas. Mas é preciso dar os primeiros passos nessa direção.

Partido Comunista

Do ponto de vista dos comunistas, apresenta-se a tarefa de fortalecer o partido. É progressiva, embora lenta, a acumulação de forças do partido comunista, inclusive no plano eleitoral e institucional. O PCdoB detém cerca de três por cento dos votos nacionais proporcionais, elegeu uma bancada de 15 deputados federais e dois senadores e tem diminuta presença no governo nacional, circunscrita ao Ministério do Esporte. Nos estados e municípios conta com duas dezenas de deputados estaduais, cerca de 600 vereadores, uns 40 prefeitos, entre estes um de capital, e participa em secretarias estaduais e municipais em alguns governos locais. Cartorialmente, o partido tem, segundo dados da Justiça Eleitoral algo em torno de 280 mil filiados. É preciso um censo apurado para aferir quantos militantes somos.

Os principais desafios continuam sendo os do crescimento das fileiras e da influência política e eleitoral. Preparar o partido para os embates de 2012 é tarefa indispensável a que as direções em todos os níveis devem dedicar boa parte das suas atenções.

Mas seria incomprensão e desvio de rumo pretender enfrentar o desafio eleitoral dissociado do esforço para enraizar o partido nas massas, manter-se na linha de frente das lutas do povo, melhorar a composição social das fileiras partidárias, estruturá-las pela base , defender a identidade comunista e a unidade em torno do programa, formar militantes e quadros comunistas, construir um sistema de comunicação para atingir amplos setores e fortalecer ideologicamente o partido.

Numa época em que predomina a contrarrevolução, é tarefa precípua da direção sustentar a bandeira comunista do partido, porquanto em tal ambiente são fortes as tendências liquidacionistas e os fatores de degeneração. Em qualquer situação histórica, sob o capitalismo e o imperialismo, a luta pelo socialismo não prescinde da existência do partido comunista, que é a expressão mais elevada da independência política e organizativa das classes trabalhadoras. É nesse sentido que é correto afirmar que a questão organizativa é antes de tudo uma questão política. Não pode servir como frase de efeito nem rota de fuga para contornar a realização das complexas e duras tarefas de organização e da luta ideológica, que pressupõem antes de tudo clareza no diagnóstico dos problemas, frontalidade e métodos adequados.

A construção do PCdoB não começou na década passada. A acumulação de forças de que resulta o partido atual faz parte de uma época histórica iniciada pelo menos desde a refundação partidária em 1962 e que ingressou numa fase peculiar em 1985, com a legalização. Os comunistas são criativos, inovadores, capazes de se atualizar e se pôr à altura dos desafios políticos, ideológicos e orgânicos contemporâneos. Não se perdem na reiteração de dogmas, não se pretendem uma seita, mas tampouco se propõem  reinventar a roda ou redescobrir o caminho marítimo para as Índias.

O Partido tem uma missão histórica a cumprir, relacionada com a sua natureza de classe e os objetivos dos trabalhadores: a revolução e a construção do socialismo. Com discernimento relativamente às peculiaridades da época, não perde de vista a necessidade de soerguer o exército político de massas da luta política e social. Uma tarefa complexa, que requer ciência e pertinácia, ousadia e paciência histórica, que só se realiza por um grande coletivo, teórica, política e ideologicamente preparado.

É esse o sentido do combate às deficiências, ao esmaecimento da identidade, à diluição organizativa, ao debilitamento da unidade, à subordinação do coletivo a interesses e motivações de indivíduos isolados e grupos.

A luta do povo brasileiro tem muito a ganhar com as perspectivas abertas pela última reunião da Comissão Política do PCdoB.

*Secretário nacional de Comunicação do PCdoB

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...